Entrevista - Cel. e Dr. Ozires Silva - Foi ministro infraestrutura e presidente Embraer, Petrobrás e Varig.

ozires

1) Para crescer, grandes empresas buscam mudanças radicais. Cite-as na sua opinião.

Numa de suas últimas entrevista, o conhecido estudioso de administração empresarial, Peter Drucker, acentua que as árvores não crescem até o céu. Disse isso em alusão às empresas afirmando que elas precisam durante todo o tempo se reestruturarem pois, do contrário, não crescerão nem existirão por longo período. Ele se manifestou em relação aos sistemas gerenciais que predominam nas empresas, nos seus planos internos. Nas áreas externas o crescimento e prosperidade delas dependem do meio aonde vivem, da cultura que predomina na sociedade e das regras e regulamentos governamentais.

No caso do Brasil, é clássica a constatação que o nosso país não se comporta de maneira essencialmente favorável à implantação e ao desenvolvimento dos negócios e das companhias instaladas em nosso território. A legislação extensa, complexa e muitas vezes contraditória é um fator de complicação e de altos custos, em face da burocracia envolvida. O nível de tributação, o custo do dinheiro e o engessamento regulamentar, do mesmo modo, eleva os custos e reduz a capacidade competitiva do mercado global, hoje crescentemente se universalizando. Assim, se o Brasil realmente pretender o pleno emprego, a melhor qualidade de vida dos cidadãos e a generalização da prosperidade, precisa alterar o quadro que, há décadas segura o desenvolvimento econômico nacional.

2) Segundo pesquisas, presidentes temem que concorrência feroz mude dinâmica de mercado, o que você acha disso?

Não faço idéia de onde surgiu esta afirmativa dos Presidentes. De qualquer modo a dinâmica do mercado nacional, que vivemos nas últimas décadas, parece-me altamente criticável. Perdemos terreno em praticamente todos os itens da economia mundial. O Banco Mundial publicou uma pesquisa em Setembro de 2005 colocando o Brasil como um dos últimos colocados numa lista de 150 países do mundo, numa comparação de prosperidade e de ambiente para se fazer negócios. Se os "Presidentes temem mudar a dinâmica de mercado" quem fica temeroso sou eu (e, tenho certeza, todos os envolvidos no sistema produtivo nacional) , pois o país precisa de mudanças e com urgência pois, caso contrário, nossos filhos e netos também que viverão nesta área do mundo, enfrentarão ambientes e mercados crescentemente pobres.

3) Classifique esta inovação de acordo com as seguintes frentes: Produto - Serviços e Mercado - Operacional.

A dinâmica de mercado, se for alterada de forma consistente e voltada para o desenvolvimento dos negócios e do mercado, sem nenhuma dúvida terá efeitos favoráveis para o crescimento e o progresso de todos os setores da economia. Teremos uma ampliação das atividades de prestação de serviços e crescimento do mercado, aumentando de forma significativa o giro da economia. Será possível termos mais produtos nacionais nas nossas ofertas aos consumidores. Poderemos ter a criação de novas marcas que, conquistando adicionalmente o mercado internacional, trarão mais riquezas ao cidadão brasileiro. Mas, como consta na pergunta, temos necessidade de melhorar o sistema operacional das empresas, embaraçadas que elas estão hoje, em grande medida, por posturas e regulamentos governamentais que, desde há muito, reclamam modernização e simplificação.

4) Quais são os planos da empresa para os próximos 2 anos?

As empresas com as quais estou ligado, todas elas sem exceção, gostariam de crescer, conquistar novos mercados, gerar mais emprego e mais resultados. No entanto, novamente as restrições que prevalecem no nosso cenário empresarial são limitantes sérios para muitos dos segmentos da indústria. O crescimento depende de investimentos, de espírito criativo e, além de alguns outros, da implantação de mecanismos amplos de inovação - nos produtos e nos métodos de fabricação. Para isto há a necessidade de que os empresários e empreendedores tenham entusiasmo, facilidade de acesso a créditos financeiros supridos a taxas e preços competitivos, contando com a disponibilidade de fundos em volume adequado. No clima em que vivemos de tributação excessivamente elevada são poucos os empresários que possam vender seus produtos com margens de retorno adequadas à formação de uma poupança interna que viabilize investimentos. Assim, efetivamente, a disponibilidade de mecanismos financeiros flexíveis e baratos fazem parte essencial à materialização do quadro de prosperidade que a população brasileira parece claramente aspirar.

5) Fale sobre a sua experiência dentro da empresa. Acrescente breve CV.

Trabalhei em várias empresas de porte, como a EMBRAER, PETROBRÁS e VARIG, além de ter estado ligado a uma quantidade de outras empresas, participando de Conselhos e de trabalhos específicos de projeto. Deste modo, ganhei experiências diversas e muito ricas, também no exterior. O balanço de colocações que fiz nas respostas anteriores representam um pequeno resumo do que se poderia pensar sobre a atual conjuntura produtiva nacional. Veja o Curriculo no anexo a esta mensagem.

6) Qual sua visão de mercado e atuação para este II Simpósio?

Simpósio como este são interessantes para se debater e diagnosticar situações que precisam ser analisadas e, se possível corrigidas. Parece-me que seria necessário se produzir bons anais publicando as discussões e a natureza das conclusões. Seria importante que as possíveis sugestões chegassem às autoridades e aos fazedores de opinião. E, proponho algo quase impossível, que todos aqueles que pudessem tomar decisões para modificar o atual quadro, que mostra um Brasil distante das aspirações do bom povo brasileiro, que o fizessem. Que levassem a sério as sugestões recebidas, que, estudadas, poderiam ser implementadas para criar horizontes significativamente diferentes daqueles da atualidade.

7) De que forma pretende direcionar sua participação dentro do Simpósio?

Procurar expor o que aprendi ao longo da minha vida. Traçar um quadro do futuro dos negócios, como o vejo. E entusiasmar, se possível, todos aqueles que geram empregos e progresso, a engrossar o grupo daqueles que acreditam no Brasil e que possam vê-lo diferente nos anos que temos pela frente.

8) De acordo com a sua experiência o que acontecerá com o mercado político-econômico nos próximos 2 anos nas áreas de compras, exportação e tecnologia?

O quadro político-econômico futuro é essencial para pavimentar o progresso da nação. O Brasil é um país absolutamente viável, do ponto de vista da formação de significativa riqueza nacional. Temos área territorial, recursos naturais, terras agricultáveis, uma população de pensamento capitalista (que, portanto, ganha e gasta, girando favoravelmente a economia) e uma posição geográfica no planeta destacada. Assim, entendo eu, não temos razões para sermos pobres e para pensarmo secundariamente em relação ao mundo em geral.

9) Informações que julgar necessárias acrescentar neste ítem.

Creio que já fui longe demais e, agradecido, poderei acrescentar algo mais na minha participação. Considerando que o evento ocorrerá em S.José dos Campos, acredito que valha a pena se refletir sobre o que aconteceu com a cidade em razão da criação das escolas, colégios e universidades e da implantação das empresas industriais. No meu caso, sem querer ser presunçoso, penso que seria bom se pensar na EMBRAER e na sua atual influência na sociedade local.

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